Entrevista com Matheus Fagundes, o Junior da minissérie “Felizes Para Sempre?” da Globo

Olhar curioso, prestativo e muito seguro em suas falas. Essas são as primeiras impressões ao conhecer o jovem ator Matheus Fagundes. Conheci seu trabalho depois de descobrir que estudamos no mesmo lugar, mas em épocas diferentes, no Colégio São Luis. Minha curiosidade falou mais alto e logo estávamos conversando sobre a possibilidade de uma entrevista.

Apesar de ter apenas 17 anos, Matheus vem ganhando muito reconhecimento com seu trabalho, seja no cinema ou na TV. Recentemente, ele participou da tão comentada minissérie “Felizes para Sempre?” da Globo, interpretando o adolescente Junior. Já nas telonas, Matheus ganhou dois prêmios de melhor ator com o filme “Ausência”, do diretor Chico Teixeira. Sem dúvidas, esse é um momento muito importante em sua trajetória.

Batemos um papo sobre a sua carreira, as perspectivas para o futuro, sua participação no Festival de Berlim e a experiência de trabalhar com grandes talentos, como a atriz Adriana Esteves e o diretor Fernando Meirelles. Confira na integra como foi:

Você começou a carreira através de comerciais, ligados a área de publicidade e propaganda. Quando achou que era hora de investir mais seriamente na profissão de ator? Você sempre quis isso?

Eu decidi há três anos, quando as oportunidades começaram a aparecer e eu vi que era isso o que eu realmente queria para mim. Depois de escolher essa profissão, comecei a estudar atuação no Ateliê de Artes e Ofícios, onde continuo até hoje e não pretendo parar. Mas eu primeiro trabalho profissional foi em 2007, no curta-metragem “Bicho”, do diretor Vitor Brandt.

Além de “Bicho”, em que você interpretava o personagem Carlo, você também participou do curta “Ernesto no País do Futebol”, com o papel do Caquinho. O que esses projetos representam na sua carreira hoje?

Em tudo o que a gente faz podemos tiramos algo de aprendizado. Foram meus dois primeiros papeis no cinema e eu era muito novo, então eu via mais como uma diversão naquela idade do que como profissão. Mas mesmo assim, são trabalhos que eu pude criar um repertório para exercer a minha função hoje e que me acrescentaram muito.

Apesar de ainda não ter estreado no Brasil, você já ganhou muito reconhecimento pelo filme “Ausência”, do diretor Chico Teixeira. Foram dois prêmios de melhor ator até agora, um do Festival do Rio de Janeiro e outro pelo Festival Aruanda. Conte como foi participar dessa experiência e se você esperava todo esse reconhecimento.

É engraçado, eu não esperava e nem tinha noção de como iria ficar o filme. A primeira vez que eu vi o “Ausência” foi um choque, mas um choque bom, sabe? Eu me senti muito satisfeito e realizado com o que eu vi, mas não esperava que ele fosse tomar essa proporção. Eu não esperava que fosse ganhar dois prêmios de melhor ator, que o filme fosse entrar no Festival de Berlim e seria exibido lá em três sessões lotadas, assim como as sessões que tiveram em São Paulo e no Rio de Janeiro. Eu também não esperava todo esse carinho que as pessoas me dão depois de assistir o filme, e isso tudo é muito bom. Estou muito feliz e orgulhoso.

E como foi a viagem para acompanhar o filme em Berlim?

Eu achei incrível. Fiquei encantado com a cultura, a comida e com as pessoas. Berlim me encantou de uma tal forma que eu quero voltar o mais rápido possível. É uma cidade cheia de histórias, que mistura o novo com o antigo. Eu gostaria de ficar pelo menos um mês lá para descobrir mais coisas sobre o holocausto, visitar os campos de concentração.

Como você se sentiu quando estava lá e percebeu a proporção que o filme ganhou?

Para mim foi a realização de um sonho. O Festival de Berlim é um dos melhores do mundo, um dos mais renomados e de grande importância. Só pelo fato do filme estar lá já foi uma grande vitória para nós que estávamos envolvidos no projeto. Eu fico muito feliz com a maneira que as pessoas estão recebendo o filme, e sempre que acaba uma sessão elas vem falar comigo para elogiar meu trabalho e do Chico Teixeira. É maravilhoso.

Fale um pouco sobre o Serginho, o personagem que você interpreta no filme.

O Serginho é um menino de 15 anos, que está em uma fase de transição. Ele não é mais um menino, mas ainda não é um homem. Ele está na fase de se descobrir, questionar e querer viver. É um personagem introspectivo, que diz tudo através do olhar e é feito das palavras não ditas. Fazer o Serginho foi um presente para mim porque todo ator tem o sonho de um dia protagonizar um filme e eu tive essa chance aos 17 anos. Até chegar nesse encontro entre eu e o personagem, nós tivemos uma preparação de mais ou menos um mês com a Fátima Toledo, que é uma preparadora de grande referência no que faz. Isso me ajudou muito.

Quando o filme estreia por aqui no Brasil?

Caso não percorra mais algum festival, creio que será no segundo semestre desse ano, lá para outubro ou novembro.

Veja o teaser do filme “Ausência” abaixo:

 

Outro personagem que já marcou sua carreira foi o Junior da minissérie “Felizes Para Sempre?” da Globo. Como foi interpretar um adolescente que enfrentou várias situações difíceis na vida em família (como descobrir que não era filho de quem pensava e que o verdadeiro pai era o tio corrupto que detestava; o envolvimento em manifestações e o primeiro relacionamento com uma mulher mais velha)?

O Junior é um personagem cheio de vida. Eu acho que a adolescência é uma fase fantástica, porque aos 16 anos ele vive em uma família conturbada. Quando ele encontra a Maíra, ele quer experimentar as melhores coisas que a vida tem para oferecer. Foi uma delícia fazer o Junior. Eu trabalhei com pessoas incríveis, que eu sempre assisti e admirei, como o diretor Fernando Meirelles. Foi um outro presente que a vida me deu. As pessoas também receberam muito bem a minissérie, foi um sucesso.

Você tem algo parecido com o Junior na vida real?

Muitas coisas, tanto com o Junior quanto com o Serginho. Hoje tá um pouco mais “rebelde” como o Junior, no sentido de mais inquieto. Mas na vida, tudo depende muito do momento. Tem horas que a gente gosta de estar com alguém e nesse momento eu estou aberto para conhecer novas pessoas; então é mais para o Junior hoje. Mas eu também já estive mais para o Serginho.

Falando em trabalhar com pessoas de grande renome, conte um pouquinho sobre sua relação com a Adriana Esteves, que foi sua mãe em “Felizes para Sempre?”. Em uma entrevista ela te definiu como “príncipe”, então a gente percebe que deve ter sido algo muito bom, certo?

Com certeza. A Adriana Esteves é uma pessoa fantástica e uma atriz maravilhosa. Só tenho elogios porque nós criamos uma parceira muito boa tanto dentro quanto fora de cena, nos demos muito bem. Eu admiro muito a pessoa que ela é, os trabalhos grandiosos na televisão e no cinema. Foi uma oportunidade que eu quero que se repita mais e mais vezes.

Felizes para sempre Junior elenco

Elenco de “Felizes Para Sempre?” – Foto: Globo.com

Tem algum papel que seja o seu preferido?

Não digo o preferido porque todos os papeis eu faço são com a mesma entrega e dedicação, mas o Serginho foi o que me exigiu mais tempo por ser o protagonista. O filme é o Serginho, então, foi o que me exigiu mais trabalho. Mas o meu preferido são todos.

Qual a principal diferença em atuar para o cinema e para a TV?

O que muda é tempo das coisas. No cinema você tem mais tempo e na TV as coisas tem que andar mais rápido. Isso está na quantidade de cenas que você grava por dia.

Falando nessa questão de trabalhar duro, você ainda estava no ensino médio enquanto gravou esses papéis. Como foi conciliar as duas coisas?

Me exigiu muito tempo e dedicação porque eu abdiquei a minha vida social para apenas estudar e trabalhar o tempo todo, eu só fazia isso. Mas eu consegui conciliar os dois muito bem, me formei e graças a Deus fiz um trabalho bem feito.

Assim como eu, você estudou no Colégio São Luis (Noturno) durante o ensino médio. Como o colégio ajudou em sua formação como pessoa e até mesmo profissional?

O Colégio São Luis é muito bom porque ele não forma apenas alunos, ele forma cidadãos. Me ajudou em muitas coisas como a formação que eu tive, o aprendizado. As coisas que eu vivenciei lá vou levar comigo para o resto da minha vida. A oportunidade de ter estudado lá foi outro presente.

Você pode adiantar algum trabalho que vem por aí?

Tem dois projetos meus para estrear. Um vai sair sábado agora (28.02.2015), na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi Campinas, que é um curta-metragem chamado “Ao Redor da Mesa”, do diretor Caue Nunes. Logo em seguida, esse curta vai percorrer vários festivais. O segundo é uma série da HBO que chama “O Homem da sua Vida”, com previsão para estrear em março/abril desse ano. São treze capítulo e eu estou em cinco deles.

Qual conselho você dá para quem quer seguir na carreira de ator/atriz?

Eu dou dois conselhos: estudos e persistência. Se é isso que você quer, estude muito e nunca desista.

ator Matheus Fagundes entrevista blog What About Now?

Eu e o ator Matheus Fagundes em um clique após a entrevista

E aí? Gostaram da entrevista? Deixe seu comentário…

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